sábado, 24 de dezembro de 2011

o surgimento da escrita .

Por convenção a História inicia-se com o advento da escrita que surge, primeiramente, no Oriente Próximo a cerca de 3.000 a.C. (antes de Cristo). Este mesmo passado pré-histórico remete-nos para o princípio do símbolo, ou aquilo a que comumente se designa por imagem simples, cujas manifestações mais significativas podem ser encontradas nas pinturas rupestres.

Sobre a relação entre a "linguagem simbólica" – expressa através de símbolos abstratos pintados – e a sua intenção, digamos que foi através destas imagens que o homem entendeu que podia fazer passar uma mensagem, um pensamento, o seu estado de espírito, etc.

Estas pinturas demonstram o valor que os homens da pré-história conferiam às suas criações. 





O conjunto destes desenhos-escrita, passíveis de serem compreendidos por todos os membros de um mesmo grupo, tomam a designação de pictogramas. Pertencem, pois, ao conjunto das escritas pictográficas, que no grego significam descrição da imagem, para servir de símbolo.

Quando, pelo contrário, à imagem se sobrepõe o conceito, ou seja, as idéias que estão ligadas ao objeto, passamos a falar de escrita ideográfica.

Este primeiro marco da evolução humana corresponde ao que nós conhecemos por período da pré-história.

Esse processo, porém, não ocorre de forma concomitante (ao mesmo tempo) em todo o mundo. Segundo os dados atuais, a escrita teria sido inventada de forma independente em três regiões. Ela surge pela primeira vez entre os sumérios, a cerca de 3.000 a.C. (5.000 ap.) na Mesopotâmia. Posteriormente, em torno de 1.500 a.C., há o surgimento da escrita na China e a cerca de 300 a.C. na Mesoamérica. 

A escrita não surge, de repente, do nada. Ela é o resultado do conhecimento acumulado ao longo de milhares de anos pelas sociedades sendo exercitada através, de desenhos e sinais gravados ou pintados nas pedras. Estes símbolos, porém, ainda não se constituíam em um sistema de escrita.

O que se sabe, hoje, é que entre os Sumérios a escrita vai surgir a partir da necessidade de se registrar os bens materiais e as transações comerciais dos templos administrados pelos sacerdotes. A escrita era essencial para a contabilidade do templo. Deveriam ser registrados, por exemplo, quantas ovelhas foram fornecidas a um pastor ou quantos jarros de sementes haviam sido entregues. Esta contabilidade era feita em tabuinhas de argila onde eram traçados caracteres (figuras ou sinais como um jarro, uma cabeça de touro, triângulos) e números. 

No início, o desenho de um jarro significava um jarro, porém, estas figuras (ou pictogramas) vão sofrendo alterações ao longo do tempo e se transformam. Os sinais vão sendo simplificados e abreviados e já não podem mais ser reconhecidos como a imagem de um objeto específico. A figura que representa um jarro, por exemplo, já não tem mais semelhança com o desenho de um jarro. Os sinais vão adquirindo significados mais amplos, transformando-se em ideogramas e sendo usados para representar sons (fonogramas), idéias e coisas. 

Essas tabuinhas com inscrições são encontradas em diferentes localidades como em Erech, na Suméria e em Jemdet Nasr, em Acade, reforçando a idéia de padronização dos sinais e sugerindo o intercâmbio de conhecimentos. 

A escrita deixa de ser apenas uma convenção restrita a um grupo de sacerdotes ela tem que ser ensinada e aprendida, tornando-se um sistema aceito pela sociedade sumeriana como um todo. Surgem então pessoas que têm como função, fazer esse trabalho de anotação e que têm que conhecer o sistema de escrita, são conhecidos como escribas (podemos dizer que são os primeiros funcionários públicos, exercendo funções burocráticas). 

Assim, a escrita pictográfica sumeriana do período Uruk, foi reduzida a formas angulares mais conveniente para imprimir nas tabuinhas de argila úmida com o auxílio de um pequeno junco. A escrita cuneiforme, como denominada, foi desenvolvida originariamente para escrever a língua suméria, sendo porém adotada por outros povos como os Acadianos, Eblaitas, Elamitas, Hititas, etc. 

Há regiões em que a escrita é introduzida por outros povos e em períodos muito mais recentes como no Brasil em 1.500 a.D. (depois de Cristo) ou na Austrália por volta de 1.788 a.D. Este período em que povos com escrita escrevem sobre povos sem escrita é conhecido como proto-história. São os dominantes, contando a História dos dominados.







A ESCRITA HIEROGLÍFICA


Um pouco mais tarde, cerca de 3000 anos antes da nossa era, enquanto os Sumérios desenvolviam a escrita cuneiforme, os Egípcios desenvolveram uma forma de pictografia assente em pictogramas (várias imagens figurativas que representam coisas), fonogramas (símbolos que representam sons) e outros signos determinantes em escrita ideográfica, sem vogais. Meticulosamente gravados, os hieróglifos associavam, então, símbolos fonéticos às imagens de objetos reais.

Este sistema de escrita recebeu a designação de "hieroglífica" (do grego hieros que significa sagrado, eghyhhein que significa gravar) porque foi criado para servir os rituais religiosos (usado em túmulos e templos), os monumentos estatais, as comemorações de acontecimentos militares e, em última instância, até serviu para registrar um agradecimento a um governante (por exemplo, a pedra de Roseta, na qual se podem observar hieróglifos – forma cursiva da escrita egípcia –, e letras gregas).

A escrita hieroglífica era utilizada nos documentos da vida pública e nas inscrições mais importantes. Para o dia-a-dia, os Egípcios desenvolveram, por volta de 2400, a escrita hierática, uma forma simplificada de hieróglifos. A escrita hierática (cursiva) era a utilizada pelos sacerdotes nos textos sagrados. 

Mas a dada altura, também a hierática deixou de responder à procura e exigências do quotidiano. Foi então que este povo idealizou a escrita demótica (designada, então, a "escrita do povo"), por volta de 500 anos antes da nossa era, sendo que esta constituía uma redução da hierática que, por si só, já era uma redução da hieroglífica. 

Relativamente ao suporte, há a registrar uma evolução, no sentido da multiplicação, e que vai desde as inscrições de objetos em barro cozido, passando pelas pinturas nas paredes dos templos e das câmaras funerárias, em pedra e madeira, culminando com a utilização do papiro nos manuscritos. Efetivamente, o papiro – invenção atribuída ao povo egípcio –, foi o material mais importante para este segundo sistema de escrita.

A ele associamos a escassez, sentida a determinada altura, de pedra para as placas, já que a mesma era utilizada para a construção das pirâmides. Houve então a necessidade de encontrar um novo suporte que a substituísse. E a resposta foi encontrada no seio da própria vegetação do Egito, mais precisamente, nas plantas que cresciam nas margens do rio Nilo.

Falamos das plantas papiros que cresciam nas terras pantanosas da foz do Nilo e cujos caules chegavam a ter quatro metros de altura, caules esses que eram cortados e justapostos às camadas numa superfície lisa, sendo que sobre a última camada era colocada uma pedra lisa com a finalidade de fazer compressão dos caules atravessados.

A pressão exercida fazia com que a seiva e a umidade das plantas, em contacto com a água, produzissem uma espécie de substância glutinosa, que colava umas camadas às outras. Uma vez secas, as "folhas" eram postas em pilha e banhadas em azeite, ao que se seguia a tarefa de as alisar com a ajuda de uma ágata.

Assim nascia um bem cultural que os Egípcios em muito pouco tempo tornaram industrialmente reprodutível.

Mais tarde, seria a vez de os Romanos introduzirem neste processo uma inovação que resultaria numa melhor qualidade do produto final: a aplicação de cola de amido para unir as fibras.
Até ao século VIII d. C. este foi o "papel" que percorreu toda a Europa e fez as delícias de todos aqueles que tinham algo para registrar e perpetuar no tempo.

Mas antes de avançarmos, apenas um parêntesis sobre o étimo da palavra biblioteca, uma vez que é deste contexto que ele deriva. Por analogia à cidade fenícia onde compravam o papiro – Byblo –, os Gregos chamavam ao papiro byblo e, ao conjunto de rolos de madeira nos quais eram conservados os papiros escritos, byblias. Finalmente, às casas onde eram guardadas as byblias – bibliotecas.

A substituição do papiro pelo pergaminho teve lugar quando os Fenícios deixaram de exportar as folhas de papiro para a Ásia. Foi então que o Rei de Pérgamo ordenou aos seus sábios que estudassem um tipo de material que pudesse substituir o papiro. Do trabalho destes nasceu o pergaminho, assim denominado em nome da cidade de Pérgamo, que o viu nascer.

O pergaminho era obtido a partir das peles de animais (como as ovelhas e as cabras), depois de esticadas, secas e polidas, após um banho em cal, por forma a evitar o mau cheiro. Já secas, as peles eram esfregadas dos dois lados com ajuda de argila e pedra-pomes.

Este novo processo de obtenção de material para escrita tinha a vantagem de ser mais duradouro e de permitir a reunião das várias folhas em formato de livro. Comparativamente ao anterior suporte era, de fato, uma evolução. Todavia, era um processo que ficava bem mais caro. Desde o reinado de Pérgamo até ao surgimento do papel, em 1800 d. C., não se registraram inovações significativas ao nível do processo de fabrico do pergaminho.





ESCRITA CUNEIFORME NA MESOPOTÂMIA


Ao que a história nos informa, o mais antigo sistema de escrita terá nascido por volta do ano de 3100 a. C. no Sul da Mesopotâmia, como resultado do processo de assimilação entre os Sumérios e os povos semitas da Arábia.

Em conformidade com o que já havíamos dito anteriormente, o processo teve início a partir de uma imagem simples, a qual evoluiu para um símbolo pictográfico fonetizado, para só mais tarde se constituir numa palavra.

O suporte era, à data, a massa mole de argila (placas de barro), na qual se inscreviam e gravavam, com a ajuda de um estilete, os símbolos gráficos em forma de cunha (até porque era difícil desenhar em barro mole sinais curvos), para depois serem cozidas como se de peças de cerâmica se tratasse.

Com o decurso natural do tempo, o sistema sumério cuneiforme (do latim cuneus, que significa cunha) foi adotado por outros povos, sendo que a dada altura, em todos os estados da Mesopotâmia se escrevia com caracteres cuneiformes, originalmente constituídos por desenhos de objetos, não só sobre as placas de argila mas também sobre peças de marfim e pequenas tábuas de madeira. Inicialmente concebido para responder a propósitos administrativos (leis, éditos, contabilidade dos comerciantes e dos Estados), depressa extravasou este primeiro objetivo para passar a ser utilizado para exprimir o pensamento do homem.



A escrita mesopotâmica era uma escrita complexa, composta por 2000 sinais cuneiformes originais, muito embora somente 200 ou 300 fossem utilizados constantemente.

Utilizada para exprimir as duas principais línguas da Mesopotâmia – a suméria do sul, e a acádica do norte –, ao fim de algum tempo, deixou de ser escrita em colunas para passar a apresentar-se em linhas – escrita horizontal –, legível da esquerda para a direita.

A escrita cuneiforme manteve-se vigente até ao começo da nossa era.


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